domingo, 15 de junho de 2014

Nõ teño poder de me partir. D. Fernando de Meneses

Pois que nõ teño poder
Senhora, de me partir
De vos amar [d]e querer
Por vostro quero morir
E moiro de ma dama

Cantiga gravada no frontal da arca tumular de D. Fernando de Meneses e D. Brites de Andrade, do terceiro quartel do século XV.

Emídio M. Ferreira, Um Pensamento de Pedra. Os Jacentes Duplos Medievais e o Túmulo dos Pinheiro na Colegiada de Guimarães. Guimarães, Fundação Cidade de Guimarães, 2013, p. 152.

12 comentários:

  1. Eis a superação da célebre promessa de casamento: "Até que a morte nos separe!"

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  2. "Dia 291”: «Sou o teu coração e por isso te guio nesta floresta de palavras. O que nunca te disse não importa agora, está fora do meu manual de estratégia. Sim, porque só um coração possui uma estratégia do impossível e a memória agradecida de um mendigo. Vamos. O amor é uma grande viagem.»

    Joaquim Pessoa, Ano Comum


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  3. Amiga, quem vos [ama
    e por] vós é coitado
    e se por vosso chama,
    des que foi namorado
    5 nom viu prazer, sei-o eu;
    por en já morrerá
    e por aquesto m'é greu.

    Aquel que coita forte
    houve des aquel dia
    10 que vos el viu, que morte
    lh'é, par Santa Maria,
    nunca viu prazer, nem bem;
    por en já morrerá
    [e] a mim pesa muit'en.

    D. Dinis

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  4. Epitáfio para un Poeta

    Quiso cantar, cantar
    para olvidar
    su vida verdadera de mentiras
    y recordar
    su mentirosa vida de verdades

    Octávio Paz

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  5. Epitáfio para um banqueiro

    n e g ó c i o
    e g o
    ó c i o
    c i o
    o

    José Paulo Paes

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  6. Tal sazom foi em que eu já perdi
    quanto bem houv'e nom cuidei haver
    que par podesse a outro bem seer;
    mais ora já mi guisou Deus assi
    que, u perdi tam gram bem de senhor,
    cobrei d'atender outro mui melhor
    em todo bem, de quantos outros vi.

    E quand'em outra sazom perdi eu
    aquel gram bem, log'i cu[i]dei que nom
    perdesse coita do meu coraçom;
    mais agora Deus tal senhor mi deu
    que de bom prez e sem e parecer
    é mui melhor de quantas quis fazer;
    e quis log'i que foss'em poder seu.

    Quand'eu perdi aquela que amar
    sabia mais que mim nem outra rem,
    nom cuidava d'atender outro bem;
    mais prougue a Deus de mi o assi guisar
    que, u perdi aquela que amei,
    em outra senhor mui melhor cobrei,
    que me faz Deus servir e desejar.

    [Foi] ena sazom em que m'eu queixei
    a Deus, u perdi quanto desejei;
    oimais poss'eu com razom Deus loar

    porque me pôs em tal cobro que hei
    por senhor a melhor de quantas sei,
    em que pôs tanto bem que nom há par.

    Pedro, Conde de Barcelos

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  7. Epitáfio
    Gal Costa

    Devia ter amado mais
    Ter chorado mais
    Ter visto o sol nascer
    Devia ter arriscado mais
    Até errado mais
    Ter feito o que eu queria fazer
    Queria ter aceitado as pessoas como elas são
    Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar…
    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    ter visto o sol se pôr
    Devia ter me importado menos
    Com problemas pequenos
    Ter morrido de amor
    Queria ter aceitado a vida como ela é
    A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar…
    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    Ter visto o sol se pôr

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  8. Outro entendimento da promessa conjugal:

    "Na riqueza e na pobreza, no melhor e no pior, até que a morte vos separe"
    Perfeitamente.
    Sempre cumpri o que assinei.
    Portanto, estrangulei-a e fui-me embora."

    Mário-Henrique Leiria

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  9. CISNE
    Se ao nascer vos desaponto
    será para sofrer, enfim,
    metamorfose de tal ponto
    que modele a forma da Beleza.
    E para que seja assim:
    da melodia extrema a nota dada
    seja por todos, sempre, celebrada.

    "[...]
    Canção de cisne, feita em hora extrema:
    Na dura pedra fria
    Da memória te deixo, em companhia
    Do letreiro da minha sepultura;
    Que a sombra escura já me impede o dia."

    Camões, CANÇÃO V, IN LÍRICA DE CAMÕES, edição crítica de José Maria Rodrigues e Afonso Lopes Vieira, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1932, pp. 344-345.

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  10. Epitáfio do México

    Machado de Assis


    Dobra o joelho: — é um túmulo.
    Embaixo amortalhado
    Jaz o cadáver tépido
    De um povo aniquilado;
    A prece melancólica
    Reza-lhe em torno à cruz.

    Ante o universo atônito
    Abriu-se a estranha liça,
    Travou-se a luta férvida
    Da força e da justiça;
    Contra a justiça, ó século,
    Venceu a espada e o obus.

    Venceu a força indômita;
    Mas a infeliz vencida
    A mágoa, a dor, o ódio,
    Na face envilecida
    Cuspiu-lhe. E a eterna mácula
    Seus louros murchará.

    E quando a voz fatídica
    Da santa liberdade
    Vier em dias prósperos
    Clamar à humanidade,
    Então revivo o México
    Da campa surgirá.

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  11. Sir Walter Raleigh (1552-1618)

    Within the chancel of this church was interred
    the body of the
    Great Sir Walter Raleigh K[night]t
    On the day he was beheaded
    In Old Palace Yard, Westminster
    Oct 29th, Anno Dom. 1618
    READER--Should you reflect on his errors
    Remember his many virtues
    And that he was mortal
    [Written in his cell the night before his execution:]
    Even such is time that takes in trust
    Our youth, our joys, and all we have,
    And pays us but with age and dust:
    Who in the dark and silent grave
    When we have wandered all our ways
    Shuts up the story of our days.
    And from which earth and grave and dust
    The Lord shall raise me up, I trust.

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  12. Alexander Pope (1688-1744)

    For one who would not be buried in Westminster Abbey: Heroes and Kings! your distance keep; In peace let one poor Poet sleep, Who never flatter'd Folks like you: Let Horace blush, and Virgil too.

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