Ana e Alice
Ana marcara o jantar para a Brasserie Balzar, na Rue des Écoles. Esta preferencia tinha que ver, como me explicara noutra ocasião, com o facto de aquele ter sido um pouso habitual de Mário Soares no seu exílio em Paris.
Há mais de um ano que não nos víamos e a conversa principiou pelas actividades em que estávamos envolvidos. Depois, foi-se afastando da esfera pública e acercando-se de temas mais pesseoais. Era sempre assim. Conhecemo-nos desde a adolescência (de facto, desde os 14 anos dela, 17 meus) e, apesar dos interregnos de relacionamento, lidamos bem com a partilha da intimidade.
Nos últimos anos, multiplas perdas afectivas abateram-se sobre Ana. Entre elas, a de Alice. Ana telefonara-me, em Lisboa, no dia das cerimonias fúnebres, logo após a incineração do corpo, mas pouco faláramos então sobre a morte de Alice.
Alice era uma mulher de opiniões desassombradas embora por vezes um pouco ingénuas. Os laços de simpatia, confiança e cordialidade que entre nós se estabeleceram tiveram evidentemente a Ana como centro, mas não foram circunstanciais. Um dia, Alice propusera-me, a troco de lições de Latim, História, Filosofia e Organização Política, que ajudassem Ana a preparar os seus exames de 7º ano, um generoso pagamento. Esta espécie de perceptorado permitia-me ainda beneficiar de uma clausula não explicita: um convite para jantar em dias de lição. Foi com esta ajuda imprevista e generosa que fiz face aos encargos com o meu primeiro ano na Faculdade de Letras de Lisboa.
Ana emigrou para Paris com pouco mais de vinte anos. Enfrentou situações difíceis, que não esquece, e, se hoje conta com uma posição de relevo na produção cultural francesa, deve-a à resiliência que adquiriu e às capacidades e competências que exercitou e de que deu provas.
Contou-me os últimos anos de Alice, as sequelas do envelhecimento, relatou as visitas que mutuamente se faziam, em Paris e Lisboa. Alice gostava de Paris, que mapeara com lugares de eleição, ruas, edifícios, outras marcas afectivas.
Que fizeste da cinzas de Alice? - perguntei a Ana. - Trouxe-as comigo e durante algum tempo estiveram em minha casa, até decidir que fazer com elas. Achei que era nesta cidade que as devia depositar. Percorri todos os locais que ela amava em Paris, um após outro, e por todos eles distribui um pouco do pó de Alice.
[Texto publicado no semanário Região de Leiria, edição de 6 de Fevereiro de 2014]
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
A lentidão das viagens exaspera-me. Francisco Keil do Amaral
Autobiografia [do Arq. Francisco Caetano Keil Coelho do Amaral; anterior a 1940]
Nasci em Lisboa aos 28 de Abril de 1910, justamente, e por infelicidade minha, no momento em que os meus pais se encontravam ausentes em viagem pelo estrangeiro.
Devido a esse facto, e por não ter junto de mim quem cuidasse do meu sustento e vestuário, fui forçado a iniciar a luta pela vida desde muito novo. Até aos dois meses ainda consegui aguentar-me em casa de uma velha míope que me tomava por um gato, me dava abundantes carapaus, mas o logro foi descoberto e tive de dar novo rumo à existência. Dada a minha falta de habilitações profissionais (perfeitamente natural numa criança de tão tenra idade) vi-me obrigado a escolher uma das raras ocupações que as não exigiam - descarregador do porto. Nessa verdadeira escola de trabalho e coragem passei a infância e são dessa época as maiores e mais doces recordações da minha vida: uns sacos enormes de açúcar com que tinha de alombar.
Aos 15 anos um generoso senhor encontrou-me a decorar com desenhos apropriados um muro pintado de fresco, e ficou impressionado com a minha vocação artística. Resolveu educar-me à sua custa e meteu-me num colégio onde me esforcei por corresponder àquela prova de interesse e magnanimidade.
Completei a instrução primária em sete anos e o meu pródigo benfeitor presenteou-me com uma viagem à Itália onde me demorei algum tempo na contemplação de tantas e tão extraordinárias obras de arte. Não vi o papa.
Após alguns estudos liceais ingressei na Escola de Belas Artes, de onde saí pouco depois para ir buscar o sobretudo de que me tinha esquecido.
A minha vocação afirmou-se amplamente e logo no primeiro concurso artístico a que concorri ganhei o prémio das famílias numerosas.
Após os estudos regulamentares diplomei-me em Arquitectura e iniciei uma vida profissional cheia de sucessos, que a minha habitual modéstia não me permite enunciar.
Moro longe da cidade e a lentidão das viagens exaspera-me. Para matar o tempo, resolvi escrever. No entanto, já escrevi mais de 300 páginas e o tempo continua vivo.
Espero que o futuro continue a sorrir-me e que estas notas biográficas sirvam de incentivo aos jovens de todo o Mundo. Como muito bem diz o Diário de Lisboa, "a virtude e a perseverança são a riqueza dos pobres e a pobreza dos avaros".
Keil do Amaral: Humor de Arquitecto. Compilação, introdução e notas de Pitum Keil do Amaral. Lisboa, Argumentum, 2010, p. 17.
Nasci em Lisboa aos 28 de Abril de 1910, justamente, e por infelicidade minha, no momento em que os meus pais se encontravam ausentes em viagem pelo estrangeiro.
Devido a esse facto, e por não ter junto de mim quem cuidasse do meu sustento e vestuário, fui forçado a iniciar a luta pela vida desde muito novo. Até aos dois meses ainda consegui aguentar-me em casa de uma velha míope que me tomava por um gato, me dava abundantes carapaus, mas o logro foi descoberto e tive de dar novo rumo à existência. Dada a minha falta de habilitações profissionais (perfeitamente natural numa criança de tão tenra idade) vi-me obrigado a escolher uma das raras ocupações que as não exigiam - descarregador do porto. Nessa verdadeira escola de trabalho e coragem passei a infância e são dessa época as maiores e mais doces recordações da minha vida: uns sacos enormes de açúcar com que tinha de alombar.
Aos 15 anos um generoso senhor encontrou-me a decorar com desenhos apropriados um muro pintado de fresco, e ficou impressionado com a minha vocação artística. Resolveu educar-me à sua custa e meteu-me num colégio onde me esforcei por corresponder àquela prova de interesse e magnanimidade.
Completei a instrução primária em sete anos e o meu pródigo benfeitor presenteou-me com uma viagem à Itália onde me demorei algum tempo na contemplação de tantas e tão extraordinárias obras de arte. Não vi o papa.
Após alguns estudos liceais ingressei na Escola de Belas Artes, de onde saí pouco depois para ir buscar o sobretudo de que me tinha esquecido.
A minha vocação afirmou-se amplamente e logo no primeiro concurso artístico a que concorri ganhei o prémio das famílias numerosas.
Após os estudos regulamentares diplomei-me em Arquitectura e iniciei uma vida profissional cheia de sucessos, que a minha habitual modéstia não me permite enunciar.
Moro longe da cidade e a lentidão das viagens exaspera-me. Para matar o tempo, resolvi escrever. No entanto, já escrevi mais de 300 páginas e o tempo continua vivo.
Espero que o futuro continue a sorrir-me e que estas notas biográficas sirvam de incentivo aos jovens de todo o Mundo. Como muito bem diz o Diário de Lisboa, "a virtude e a perseverança são a riqueza dos pobres e a pobreza dos avaros".
Keil do Amaral: Humor de Arquitecto. Compilação, introdução e notas de Pitum Keil do Amaral. Lisboa, Argumentum, 2010, p. 17.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Em todo o mundo o homem tem a mesma natureza. Cavaleiro de Oliveira
O mundo é a pátria natural, universal de todos os homens. O desterro não é mais do que uma passagem feita duma província para a outra. Esta outra província onde se acha um desterrado é o país de todos aqueles que nasceram nele e também o pode ser do desgraçado, se ele tiver entendimento para se acomodar com a sua sorte. A mesma pátria pode algumas vezes servir de lugar de desterro àqueles a quem não consta onde nasceram como sucedeu a Édipo, que, banido do lugar onde se criou, viveu como desterrado no mesmo lugar onde tinha nascido. Quando se levam as crianças das casas das suas amas para as de seus pais, consideram estas as ditas moradas como desterro, e por isso choram. É uma fraqueza de ânimo considerar-se o homem perdido quando se vê em um lugar onde nunca esteve. O homem deve imaginar que em todo o mundo tem a mesma natureza, que em todo está debaixo do mesmo céu, e que em toda a parte se encontram homens da mesma espécie.
Cavaleiro de Oliveira. Cartas Familiares. Selecção, prefácio e notas de Aquilino Ribeiro. 3ª edição. Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1982, p. 85. [Carta à Senhora Condessa de Roccaberti sobre o desterro]
Cavaleiro de Oliveira. Cartas Familiares. Selecção, prefácio e notas de Aquilino Ribeiro. 3ª edição. Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1982, p. 85. [Carta à Senhora Condessa de Roccaberti sobre o desterro]
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Um bicho conhece a sua floresta. Clarice Lispector
Andava olhando os edifícios sob a chuva, de novo impessoal e onisciente, cego na cidade cega; mas um bicho conhece a sua floresta; e mesmo que se perca - perder-se também é caminho.
Clarice Lispector, A Cidade Sitiada. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1998 [1ª edição 1949], p. 182.
Clarice Lispector, A Cidade Sitiada. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1998 [1ª edição 1949], p. 182.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Não conseguiram a integração do desconhecido no conhecido. João Rocha Pinto
Regra geral, os primeiros viajantes não expressam admiração nos seus escritos. Claro que nos referimos àquela admiração princípio de todo o saber, como ensinava Aristóteles, e que, talvez por isso mesmo, não conseguiram a integração de forma inteligível e não meramente sensível, do desconhecido no conhecido, por manifesta falta de tempo e, em outras vezes, e tantas elas foram, por inadequado nível cultural, situação frequente entre as tripulações do Cabo da Boa Esperança e da matalotagem de outras singraduras.
Os que se deslocaram em viagem escreveram cartas narrativa, relações de viagem, diários ou assim chamados, elaboraram descrições de terras, traçaram esboços topográficos, reuniram elementos para os roteiros que, ao passarem de mão em mão, para serem recopiados, iam sendo simultaneamente acrescentados. Amontoaram um saber mais ou menos caótico, mas tiveram o grande mérito de trazer o nível descritivo para esta nova literatura, impondo-o, contribuição essa digna do maior relevo, sobretudo quando se conhece a sua acrescida dificuldade por comparação com a narração, como já tivemos ocasião de destacar no capitulo precedente.
João Rocha Pinto, A Viagem, Memória e Espaço. A Literatura Portuguesa de Viagens. Os Primeiros Relatos de Viagem ao Índico, 1597-1550. "Cadernos Revista de História Económica e Social", 11-12. Lisboa , Livraria Sá da Costa, 1989, p. 79-80.
Os que se deslocaram em viagem escreveram cartas narrativa, relações de viagem, diários ou assim chamados, elaboraram descrições de terras, traçaram esboços topográficos, reuniram elementos para os roteiros que, ao passarem de mão em mão, para serem recopiados, iam sendo simultaneamente acrescentados. Amontoaram um saber mais ou menos caótico, mas tiveram o grande mérito de trazer o nível descritivo para esta nova literatura, impondo-o, contribuição essa digna do maior relevo, sobretudo quando se conhece a sua acrescida dificuldade por comparação com a narração, como já tivemos ocasião de destacar no capitulo precedente.
João Rocha Pinto, A Viagem, Memória e Espaço. A Literatura Portuguesa de Viagens. Os Primeiros Relatos de Viagem ao Índico, 1597-1550. "Cadernos Revista de História Económica e Social", 11-12. Lisboa , Livraria Sá da Costa, 1989, p. 79-80.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Missal iluminado. Alain Borer
O meu livro preferido é o meu passaporte, o único in octavo que abre as fronteiras, missal ornado de iluminuras da era aviónica. Algumas páginas ainda virgens, promessas tangíveis de novas viagens, potencialmente disponíveis para acolher todas as imagens do mundo.
Alain Borer, na obra colectiva Pour une Littérature Voyageuse, citado por Frank Michel, Du Voyage et des Hommes. Paris, Livre du Monde, 2013, p. 191.
Alain Borer, na obra colectiva Pour une Littérature Voyageuse, citado por Frank Michel, Du Voyage et des Hommes. Paris, Livre du Monde, 2013, p. 191.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Portugal, para quem não tem casa, só é habitável em Lisboa e no Avenida Palace. António Feijó
28 de Agosto de 2009 [carta enviada em papel com o timbre do Royal Hotel, do Monte Estoril. Assina a carta o diplomata e poeta António Joaquim de Castro Feijó (1859-1917), sendo seu destinatário o 2º Visconde de Pindela, Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada (1852-1922), político que desempenhou cargos diplomáticos e na administração colonial]
Querido Amigo
Para te explicar convenientemente, e cabalmente, este profundo silencio em que me tenho mantido para contigo, teria de escrever longas páginas inúteis de psicologia e de lamentações mais amargas do que as de Jeremias.
Estou, como aqueles indivíduos que viveram demais (qui se sont survécu), à semelhança desses barcos sem leme, vogando à mercê do acaso e sem bem saber o que hei-de fazer. Prolonguei demais o meu congé. Devia ter partido ao chegar o Verão. Portugal, para quem não tem casa, só é habitável em Lisboa e no Avenida Palace. Tudo o mais, para quem um dia se refocilou no contacto da civilização, é detestável e até ordinário. Em chegado o Verão, como em Lisboa se respira mal, nem mesmo nos resta esse oásis do Avenida Palace. Daí todos os meus males e contrariedades. Fomos a Sintra passar quatro dias, antes de partirmos para Moreira da Maia - estivemos lá quatro semanas, todos doentes, e tanto, que ainda estamos combalidos. Sintra, com todas as suas belezas de mansão e alegria, é o lugar mais sujo e mais infecto do mundo. Pior que Marrocos. Até a água, a famosa água de Sintra, está inquinada! Apenas pudemos partir, fugimos para aqui, posta de parte a hipótese risonha de Moreira da Maia por causa de uma epidemia de bexigas que lá apareceu. Resta-nos apenas a casa do Vilar, para onde partimos dentro de dois ou três dias, passar o mês de Setembro, a ver se os pinheiros minhotos nos tonificam para a viagem da Suécia.
João Afonso Machado, Minhotos, Diplomatas e Amigos. A Correspondência (1886-1916) Entre o 2º Visconde de Pindela e António Feijó. Linda-a-Velha, DG Edições, 2007, p. 246.
Querido Amigo
Para te explicar convenientemente, e cabalmente, este profundo silencio em que me tenho mantido para contigo, teria de escrever longas páginas inúteis de psicologia e de lamentações mais amargas do que as de Jeremias.
Estou, como aqueles indivíduos que viveram demais (qui se sont survécu), à semelhança desses barcos sem leme, vogando à mercê do acaso e sem bem saber o que hei-de fazer. Prolonguei demais o meu congé. Devia ter partido ao chegar o Verão. Portugal, para quem não tem casa, só é habitável em Lisboa e no Avenida Palace. Tudo o mais, para quem um dia se refocilou no contacto da civilização, é detestável e até ordinário. Em chegado o Verão, como em Lisboa se respira mal, nem mesmo nos resta esse oásis do Avenida Palace. Daí todos os meus males e contrariedades. Fomos a Sintra passar quatro dias, antes de partirmos para Moreira da Maia - estivemos lá quatro semanas, todos doentes, e tanto, que ainda estamos combalidos. Sintra, com todas as suas belezas de mansão e alegria, é o lugar mais sujo e mais infecto do mundo. Pior que Marrocos. Até a água, a famosa água de Sintra, está inquinada! Apenas pudemos partir, fugimos para aqui, posta de parte a hipótese risonha de Moreira da Maia por causa de uma epidemia de bexigas que lá apareceu. Resta-nos apenas a casa do Vilar, para onde partimos dentro de dois ou três dias, passar o mês de Setembro, a ver se os pinheiros minhotos nos tonificam para a viagem da Suécia.
João Afonso Machado, Minhotos, Diplomatas e Amigos. A Correspondência (1886-1916) Entre o 2º Visconde de Pindela e António Feijó. Linda-a-Velha, DG Edições, 2007, p. 246.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Tenho de voltar a vê-la. Katherine Mansfield
- Desço aqui - disse.
Aquilo pareceu completamente impossível a Henry. O comboio começou a travar lentamente e lá fora as luzes tornaram-se mais brilhantes. A rapariga avançou para o lado do compartimento em que ele estava.
- Escute - balbuciou ele - Não a volto a ver?
Levantou-se também apoiando-se com a mão à barra da rede.
- Tenho de voltar a vê-la.
O comboio parava.
Ela murmurou:
- Venho de Londres todas as tardes.
- Posso ter a certeza? É verdade que vem todos os dias?
A sua ansiedade assustou a rapariga. Apercebendo-se disso procurou escondê-la. Rápida, uma dúvida assaltou-o: "Devo apertar-lhe a mão?" Mas com uma das mãos a rapariga segurava o puxador e com a outra o saco. O comboio imobilizou-se. Sem mais uma palavra, sem mais um olhar, ela tinha desaparecido.
Katherine Mansfield, A Viagem Indiscreta. Lisboa, Relógio d'Água, 1984, p. 57.
Aquilo pareceu completamente impossível a Henry. O comboio começou a travar lentamente e lá fora as luzes tornaram-se mais brilhantes. A rapariga avançou para o lado do compartimento em que ele estava.
- Escute - balbuciou ele - Não a volto a ver?
Levantou-se também apoiando-se com a mão à barra da rede.
- Tenho de voltar a vê-la.
O comboio parava.
Ela murmurou:
- Venho de Londres todas as tardes.
- Posso ter a certeza? É verdade que vem todos os dias?
A sua ansiedade assustou a rapariga. Apercebendo-se disso procurou escondê-la. Rápida, uma dúvida assaltou-o: "Devo apertar-lhe a mão?" Mas com uma das mãos a rapariga segurava o puxador e com a outra o saco. O comboio imobilizou-se. Sem mais uma palavra, sem mais um olhar, ela tinha desaparecido.
Katherine Mansfield, A Viagem Indiscreta. Lisboa, Relógio d'Água, 1984, p. 57.
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