Testamento
Vou partir de avião
e o medo das alturas misturado comigo
faz-me tomar calmantes
e ter sonhos confusos
Se eu morrer
quero que a minha filha se esqueça de mim
que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada
e que lhe ofereçam fantasia
mais que um horário certo
ou uma cama bem feita
Dêem-lhe amor e ver
dentro das coisas
sonhar com sóis e céus brilhantes
em vez de lhe ensinarem contas e somar
e a descascar batatas
Preparem a minha filha
para a vida
se eu morrer de avião
e ficar despegada do meu corpo
e for átomo livre lá no céu
Que se lembre de mim
a minha filha
e mais tarde que diga à sua filha
que eu voei lá no céu
e fui contentamento deslumbrado
ao ver na sua casa as contas de somar erradas
e as batatas no saco esquecidas
e íntegras
Ana Luisa Amaral, Inversos. Poesia 1990-2010. Lisboa, Dom Quixote, 2010, p. 51.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Onde um braço teu me procura. Mário Cesariny de Vasconcelos
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny de Vasconcelos, Pena Capital. Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 30
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny de Vasconcelos, Pena Capital. Lisboa, Assírio & Alvim, 2004, p. 30
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Procurar o amor neste deserto. Carlos de Oliveira
Soneto do regresso
Volto contigo à terra da ilusão,
mas o lar de meus pais levou-o vento
e se levou a pedra dos umbrais
o resto é esquecimento:
Procurar o amor neste deserto
onde tudo me ensina a viver só
e a água do teu nome se desfaz
em silabas de pó
é procurar a morte apenas,
o perfume daquelas
longínquas açucenas
abertas sobre o mundo como estrelas:
Despenhar no meu sono de criança
inutilmente a chuva da lembrança.
Carlos de Oliveira, Poesias: 1945-1960. Lisboa, Portugália, 1962, p. 163.
Volto contigo à terra da ilusão,
mas o lar de meus pais levou-o vento
e se levou a pedra dos umbrais
o resto é esquecimento:
Procurar o amor neste deserto
onde tudo me ensina a viver só
e a água do teu nome se desfaz
em silabas de pó
é procurar a morte apenas,
o perfume daquelas
longínquas açucenas
abertas sobre o mundo como estrelas:
Despenhar no meu sono de criança
inutilmente a chuva da lembrança.
Carlos de Oliveira, Poesias: 1945-1960. Lisboa, Portugália, 1962, p. 163.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
No mar e no navegar está o sonho de chegar. José Cardoso Pires
Iam de rota traçada com destino às Bermudas, esse arquipélago de esmeraldas depostas sobre um banco de corais que Álvaro Vaz conhecia de leituras e que durante a viagem antecipava aos companheiros numa geografia de surpresas. No mar e no navegar está o sonho de chegar, e o skipper do Ponta de Sagres sempre que demandava portos desconhecidos figurava-os para lá da proa do veleiro em representações que conhecera deles através de álbuns, vídeos e enciclopédias ou das reportagens do National Geographic. Navegava assim a duas cartas, a duma Imago Mundi umas vezes científica, outras vezes aventureira, e a da Orbis Rigorosa da arte de marear, e nada disto serviria de estorvo à sua navegação, uma vez que um comandante de mão pensada é capaz de levar o navio até ao cume duma montanha. Adiante, portanto, e que São Cristóvão Viajante lhes abrisse caminho com o bastão da sua augusta providência.
Adiante, isto é, rumo a SW, logo ao largo da costa apanharam dois dias de nortada com ondas de quatro metros e vento de força cinco que os obrigou a amuras curtas. Dois dias em cavalgada de vaga alta é coisa medonha de vencer, mas felizmente que, de garras ao leme e velas firmes, se guardaram de estragos e desesperos e entraram de consciência cumprida em mar de feição, mar brando, mar estanhado e sempre mais brando à medida que se aproximavam do paralelo 30 entre a Madeira e as Canárias e guinavam para oeste como mandava a carta de bordo. Deus abrira a sua mão de luz sobre o oceano, apaziguando-o, e conduzia o veleiro num chão de milagres donde de levantavam bandos de peixes voadores, escreveu o monge de Singeverga, sentado na cabine frente à imagem duma Virgem de Neptuno que ele jamais conhecera do Livro dos Benditos.
José Cardoso Pires, Breve noticia do achamento da ilha de Santanás e dos verdadeiros sucessos que nela ocorreram agora postos a escrito segundo os testemunhos dos navegantes e dos registos que os certificam. Lisboa, Parque Expo 98, 1997, p. 15-17.
Adiante, isto é, rumo a SW, logo ao largo da costa apanharam dois dias de nortada com ondas de quatro metros e vento de força cinco que os obrigou a amuras curtas. Dois dias em cavalgada de vaga alta é coisa medonha de vencer, mas felizmente que, de garras ao leme e velas firmes, se guardaram de estragos e desesperos e entraram de consciência cumprida em mar de feição, mar brando, mar estanhado e sempre mais brando à medida que se aproximavam do paralelo 30 entre a Madeira e as Canárias e guinavam para oeste como mandava a carta de bordo. Deus abrira a sua mão de luz sobre o oceano, apaziguando-o, e conduzia o veleiro num chão de milagres donde de levantavam bandos de peixes voadores, escreveu o monge de Singeverga, sentado na cabine frente à imagem duma Virgem de Neptuno que ele jamais conhecera do Livro dos Benditos.
José Cardoso Pires, Breve noticia do achamento da ilha de Santanás e dos verdadeiros sucessos que nela ocorreram agora postos a escrito segundo os testemunhos dos navegantes e dos registos que os certificam. Lisboa, Parque Expo 98, 1997, p. 15-17.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Outros sentidos. Mário da Sá-Carneiro
[...]
É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.
É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.
[...]
Mário de Sá-Carneiro, Dispersão.
É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.
É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.
[...]
Mário de Sá-Carneiro, Dispersão.
sábado, 30 de novembro de 2013
Viagem sem paisagem. Maria Gabriela Llansol
O barco balouçou e vazou-o no mar (um copo a vazar o seu conteúdo num tanque). Macário contraiu-se, de medo e de frio, e pensou: «Por agora estou salvo.» Opôs o corpo ao mar e, sobretudo, à escuridão. Bracejou, à procura da carne líquida das ondas, e do sentido da ilha, no seu ondear oculto. Começou a viagem dolorosa em que os braços e as pernas tinham de vestir a resistência da madeira e comportar-se como remos. Era uma viagem sem paisagem, através da ausência. Macário apavorava-se nela, agudamente servo de si próprio. Media, braçada a braçada, a água que o exilava da ilha, até que os joelhos tocaram os rochedos e as casas apareceram levantadas ao alto sobre a neblina. Ultrapassou as rochas e estendeu-se no princípio da praia, desamparado como uma concha.
Maria Gabriela Llansol, A Terra Fora do Sítio, Edição Parque Expo 98, 1997. p. 22-23.
Maria Gabriela Llansol, A Terra Fora do Sítio, Edição Parque Expo 98, 1997. p. 22-23.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
As viagens são uma boa cura para doentes de amor. Ortega y Gasset
Sólo salva al enamorado un choque recibido violentamente de fuera, un tratamiento a que alguien le obligue. Se comprende que la ausencia, los viajes sean una buena cura para enamorados. La lejanía del objeto amado lo desnutre atencionalmente; impide que nuevos elementos de él mantengan vivo el atender. Los viajes, obligando materialmente a salir de sí mismo y resolver mil pequeños problemas, arrancándonos del engaste habitual y apretando contra nosotros mil objetos insólitos, consiguen forzar la consigna maniática y abren poros en la conciencia hermética, por donde entra, con el aire libre, la perspectiva normal.
Ortega y Gasset, Estudios Sobre el Amor. Madrid, Revista de Occidente en Alianza Editorial, 1981, p. 19.
Ortega y Gasset, Estudios Sobre el Amor. Madrid, Revista de Occidente en Alianza Editorial, 1981, p. 19.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Parti então, com muita alegria. Eça se Queirós
Parti então, com muita alegria, para a minha apetecida romagem às Cidades da Europa.
Ia viajar!... Viajei. Trinta e quatro vezes, à pressa, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz a mala. Onze vezes passei o dia num wagon, envolto em poeirada e fumo, sufocado, a arquejar, a escorrer de suor, saltando em cada estação para sorver desesperadamente limonadas mornas que me escangalhavam a entranha. Quatorze vezes subi derreadamente, atrás de um criado, a escadaria desconhecida dum Hotel; e espalhei o olhar incerto por um quarto desconhecido; e estranhei uma cama desconhecida, donde me erguia, estremunhado, para pedir em línguas desconhecidas um café com leite que me sabia a fava, um banho de tina que me cheirava a lodo. Oito vezes travei bulhas abomináveis na rua com cocheiros que me espoliavam. Perdi uma chapeleira, quinze lenços, três ceroulas, e duas botas, uma branca, outra envernizada, ambas do pé direito. Em mais de trinta mesas-redondas esperei tristonhamente que me chegasse o boeuf-a-la-mode, já frio, com molho coalhado - e que o copeiro me trouxesse a garrafa de Bordeus que eu provava e repelia com desditosa carantonha. Percorri, na fresca penumbra dos granitos e dos mármores, com pé respeitoso e abafado, vinte e nove Catedrais. Trilhei molemente, com uma dor surda na nuca, em quatorze museus, cento e quarenta salas revestidas até aos tectos de Cristos, heróis, santos, ninfas, princesas, batalhas, arquitecturas, verduras, nudezes, sombrias manchas de betume, tristezas das formas imóveis!... E o dia mais doce foi quando em Veneza, onde chovia desabaladamente, encontrei um velho inglês de penca flamejante que habitara o Porto, conhecera o Ricardo, o José Duarte, o Visconde do Bom Sucesso, e as Limas da Boa Vista... Gastei seis mil francos. Tinha viajado.
Eça de Queirós, A Cidade e as Serras.
Ia viajar!... Viajei. Trinta e quatro vezes, à pressa, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e refiz a mala. Onze vezes passei o dia num wagon, envolto em poeirada e fumo, sufocado, a arquejar, a escorrer de suor, saltando em cada estação para sorver desesperadamente limonadas mornas que me escangalhavam a entranha. Quatorze vezes subi derreadamente, atrás de um criado, a escadaria desconhecida dum Hotel; e espalhei o olhar incerto por um quarto desconhecido; e estranhei uma cama desconhecida, donde me erguia, estremunhado, para pedir em línguas desconhecidas um café com leite que me sabia a fava, um banho de tina que me cheirava a lodo. Oito vezes travei bulhas abomináveis na rua com cocheiros que me espoliavam. Perdi uma chapeleira, quinze lenços, três ceroulas, e duas botas, uma branca, outra envernizada, ambas do pé direito. Em mais de trinta mesas-redondas esperei tristonhamente que me chegasse o boeuf-a-la-mode, já frio, com molho coalhado - e que o copeiro me trouxesse a garrafa de Bordeus que eu provava e repelia com desditosa carantonha. Percorri, na fresca penumbra dos granitos e dos mármores, com pé respeitoso e abafado, vinte e nove Catedrais. Trilhei molemente, com uma dor surda na nuca, em quatorze museus, cento e quarenta salas revestidas até aos tectos de Cristos, heróis, santos, ninfas, princesas, batalhas, arquitecturas, verduras, nudezes, sombrias manchas de betume, tristezas das formas imóveis!... E o dia mais doce foi quando em Veneza, onde chovia desabaladamente, encontrei um velho inglês de penca flamejante que habitara o Porto, conhecera o Ricardo, o José Duarte, o Visconde do Bom Sucesso, e as Limas da Boa Vista... Gastei seis mil francos. Tinha viajado.
Eça de Queirós, A Cidade e as Serras.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
É esse o perigo de nos tornarmos ilhéus. D. H. Lawrence
Desta pequena ilha no espaço passava-se, estranhamente, aos grandes domínios obscuros do tempo, onde as almas que nunca morrem passam e repassam, em missões vastas e estranhas. A pequena ilha terrestre diminui, como um trampolim, e reduz-se a nada, porque dela se saltou, sem saber como, para o amplo mistério escuro do tempo onde o passado é vivo e vasto e o futuro não está isolado.
É esse o perigo de nos tornarmos ilhéus. Na cidade, quando se vai de polainas brancas e se evita o trânsito, com o medo da morte metido na espinha, está-se protegido dos terrores do tempo infinito. O momento é a ilhota no tempo de cada um, é o universo espacial que passa vertiginosamente à nossa volta.
Mas, quando nos isolamos numa ilha pequena no mar do espaço e o momento começa a inchar e a expandir-se em grandes círculos, vai-se a terra sólida e a nossa alma escura, nua, escorregadia, acha-se no mundo intemporal, onde os carros da chamada morte se precipitam pelas velhas ruas dos séculos e as almas se apinham nos caminhos a que nós, no momento, chamamos anos passados. As almas dos mortos estão vivas, de novo, e pulsam activamente em redor de nós. Estamos perdidos no outro infinito.
D. H. Lawrence, Amor no Feno e Outros Contos. Lisboa, Assírio & Alvim, 2010. Edição Biblioteca Editores Independentes, p. 127-128.
É esse o perigo de nos tornarmos ilhéus. Na cidade, quando se vai de polainas brancas e se evita o trânsito, com o medo da morte metido na espinha, está-se protegido dos terrores do tempo infinito. O momento é a ilhota no tempo de cada um, é o universo espacial que passa vertiginosamente à nossa volta.
Mas, quando nos isolamos numa ilha pequena no mar do espaço e o momento começa a inchar e a expandir-se em grandes círculos, vai-se a terra sólida e a nossa alma escura, nua, escorregadia, acha-se no mundo intemporal, onde os carros da chamada morte se precipitam pelas velhas ruas dos séculos e as almas se apinham nos caminhos a que nós, no momento, chamamos anos passados. As almas dos mortos estão vivas, de novo, e pulsam activamente em redor de nós. Estamos perdidos no outro infinito.
D. H. Lawrence, Amor no Feno e Outros Contos. Lisboa, Assírio & Alvim, 2010. Edição Biblioteca Editores Independentes, p. 127-128.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Nitzsche. Claudio Magris
É cada vez mais difícil, na actual irrealidade do mundo, responder à questão de Nietzsche: "onde é que me posso sentir em casa?"
Claudio Magris, Trois Orients. Récits de Voyage. Paris, Rivages, 2006
Claudio Magris, Trois Orients. Récits de Voyage. Paris, Rivages, 2006
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Nunca teve vontade de partir? Milan Kundera
O jovem olha-a nos olhos, ouve-a e depois diz-lhe que aquilo a que ela chama recordação é, na realidade, oura coisa muito diferente: enfeitiçada, vê-se a esquecer.
Tamina aprova.
E o jovem continua: o olhar triste que ela lança para trás já não é a expressão da fidelidade a um morto. O morto desapareceu do seu campo visual e ela olha apenas para o vazio.
Para o vazio? Mas então o que é que lhe torna o olhar tão pesado?
Não está pesado de recordações, explica o jovem, mas de remorsos. E Tamina nunca se perdoará o ter esquecido.
- E o que é que tenho de fazer? - pergunta Tamina.
- Esquecer o seu esquecimento - diz o jovem.
Tamina sorri com amargura:
- Explique-me como é que consigo.
- Nunca teve vontade de partir?
- Sim - confessa Tamina. - Tenho uma terrível vontade de partir. Mas para onde?
- Para qualquer sítio onde as coisas são leves como uma brisa. Onde as coisas perderam o peso. Onde não há remorsos.
Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento. 9ª edição. Lisboa, Dom Quixote, 2001, p. 156-157.
Tamina aprova.
E o jovem continua: o olhar triste que ela lança para trás já não é a expressão da fidelidade a um morto. O morto desapareceu do seu campo visual e ela olha apenas para o vazio.
Para o vazio? Mas então o que é que lhe torna o olhar tão pesado?
Não está pesado de recordações, explica o jovem, mas de remorsos. E Tamina nunca se perdoará o ter esquecido.
- E o que é que tenho de fazer? - pergunta Tamina.
- Esquecer o seu esquecimento - diz o jovem.
Tamina sorri com amargura:
- Explique-me como é que consigo.
- Nunca teve vontade de partir?
- Sim - confessa Tamina. - Tenho uma terrível vontade de partir. Mas para onde?
- Para qualquer sítio onde as coisas são leves como uma brisa. Onde as coisas perderam o peso. Onde não há remorsos.
Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento. 9ª edição. Lisboa, Dom Quixote, 2001, p. 156-157.
domingo, 24 de novembro de 2013
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