E assim chegamos ao ponto fundamental: "Se um lugar se pode definir como gerador de identidade, relacional e histórico, um espaço que se não possa definir como gerador de identidade, nem como relacional, nem como histórico, será então um não-lugar. A hipótese defendida é que a sobre-modernidade é produtora de "não-lugares". Estamos assim num mundo destinado " à individualidade solitária, à passagem, ao provisório e ao efémero.
Aliás o espaço do viajante é o arquétipo do não-lugar. E se os lugares antropológicos criam social-orgânico, os não-lugares desenvolvem um espécie de contratualidade solitária.
Pergunta: será que pela leitura de certos escritores mágicos (como a Maria Gabriela Llansol) seremos capazes de reinventar o suporte vivo de lugares como a casa, o jardim, o pinhal, o mar, o quarto?
Eduardo Prado Coelho, Tudo o Que Não Escrevi. Diário II (1992). Vol. 2. 2a edição. Lisboa, Asa, 2008, p. 22-23.




